O céu estava finalmente azul após semanas de chuva, e eu estava ali, sentada sobre um poço de pedras (exatamente entre um balde e uma galinha) rodeada por patos, cavalos, outras galinhas e uma quantidade que me parecia infinita de insetos ! E por alguma estranha razão, nada me fazia parar de olhar fixamente para esta porca ( prenha de outros sei lá quantos porquinhos) nem mesmo toda beleza encantadora que me cercava. Era como se ela estivesse tentando me dizer algo.Não me contive, caminhei em direção à intrigante suina. Ela, caminhou em minha e pôs-se a fazer força por entre as tábuas da cerca que a prendia.
De imediato, pensei que ela achasse ser possível derrubar as barreiras à "focinhadas", (afinal era só uma porca). De repente ela até sabia da impossibilidade , mas sua ancia por liberdade era tamanha que ela tentava.
Talvez não fosse nada disso, ela poderia simplesmente estar se escondendo, para que não a vissem na sua condição miserável de vida: presa, comemendo resto dos outros animais, encontrando a felicidade num mergulho de lama. E ela sabia que suas crias que estavam por vir, teriam a mesma condição, esta, seria sua maior aflição !
Após um longo tempo tentando decifrar a cena, fui tomada por um lapso de racionalidade e percebi que tudo isso era loucura. Porcos não pensam, porcos não sentem, e ela sequer sabia o conceito de liberdade ou que um banho de mar é muito mais revigorante pra alma que o de lama.Porcos não falam, porcos são porcos !
Na dúvida, sem saber o que estava acontecendo, eternizei o momento em uma foto. Assim quem sabe um dia, alguém que não eu, capta entre um detalhe e outro o que de fato aconteceu.
Eu, se tivesse de arriscar um palpite, diria que ela sabe que se todos os dias ela empurrar um pouquinho aquela cerca... um dia ela cai.
Ju Fernandes
a foto foi tirada em jul/2007
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